segunda-feira, 10 de outubro de 2011


Sentimentos... É difícil entender quando até a identidade que você julgava ter desaparece. E eu, que passava as noites de scarpin e unhas vermelhas, troquei todo o glamour decadente pra limpar minhas mãos na terra. Ainda assim nada é suficiente perante a magnitude de um amor tão errado, tão desenfreado. Estranho...Amor deveria bastar. Mais não basta. Ah... Se amor bastasse. Mais não! Queremos muito mais, precisamos de mais. Você precisa de mais? Eu preciso de você. Nem sei ao certo quanto de você me interessa. Todos os teus ângulos me confundem. Errado... Não é exatamente você. É o teu cheiro. Aquele que me fez acreditar que a busca chegou ao fim. O cheiro de começo de filme que nunca tem final. O cheiro de vontade de comer todos os mousses de chocolate do mundo e ainda assim não ficar saciada de tanto você. Encontro... A busca continua. Você não consegue me ver? Eu já te achei. Nem sei ao certo onde, só te vi por ai. Entre seu olhar de que nada é com você, e minha cara fechada de que tudo é comigo, eu ainda prefiro nosso meio termo. Talvez até funcione como aprendemos nas aulas de geometria. Dois círculos de sobrepondo. O circulo. O infinito. Você não consegue me ver? Deveria ser simples. Assim como uma folha cai da arvore. Você olharia pra mim. Eu pra você. Os círculos se cruzariam. Mais e você, não consegue me ver? Talvez minhas mãos limpas de terra tenham confundido você. Não entenda errado. Ainda prefiro ser quem sou hoje. Só não entendo porque você continua sem me ver...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Bons ventos...


Eu sei, eu sei... Faz tempo, mais tem acontecido tanta coisa, tanta coisa linda, boa... Nem tudo são flores é verdade, mais posso dizer com certeza que o sol desse ano que acaba de encerrar brilhou pra mim, e é uma pena que nem todos os presentes que ganhamos podemos compartilhar. Nem tudo são flores, repito pra que eu nunca esqueça das batalhas do dia a dia. Nem tudo são flores, é fato, mais há pessoas nas nossas vidas, que mesmo distantes, parecem exalar um cheiro tao cheio de paz, amor e companheirismo que te faz feliz apesar da distancia que teima em perseguir. Não e desculpa. Não preciso disso, faço o que tenho que fazer. É saudade boa... aquela que te deixa nostalgica, cheia de lembranças e com a certeza que ainda está lá, toda a alegria de uma vida. Estava lendo esse poema, e ele me trouxe um gostinho de filme, de uma história que eu ja tinha visto, foi aí que lembrei.... "O Diário de uma Paixão". Esse filme representa muito pra mim. Representa momentos. Pessoas. Histórias. Amor. Dedico esse Poema, e todas as alegrias desse ano que passou a meus sempre e sempre amigos de peito Pâmela, Marcim, Max, Dielle, Loreanne, Giezi, Ivo, Thiago. Por tudo que foi dito. Por tudo que não foi dito. Por tudo que foi vivido. Por tudo que foi gritado. por todos os soluços. Por todos os abraços. Por todas as brigas. Por toda a vida.

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder."
(Caio Fernando Abreu)


Saudade.

sábado, 5 de junho de 2010

Lembra quando você era criança e acreditava em contos de fada? Aquela fantasia de como a sua vida seria. O vestido branco, o príncipe encantado que te levaria embora para um castelo na montanha. Você deitava de noite na cama e fechava os olhos, e tinha total e completa fé. O Papai Noel, a Fada Madrinha, o Príncipe Encantado, todos tão perto que dava pra sentir o gosto. Mas eventualmente, você cresce. Um dia você abre os olhos e o conto de fadas desaparece. A maioria procura pessoas e coisas em que possam confiar. Mas o negocio é que, é difícil abrir mão totalmente daquele conto de fadas. Pois quase todo mundo ainda tem aquele mínimo de esperança, de fé, de que um dia abrirão os olhos e tudo virará realidade. No final de tudo, a fé é uma coisa engraçada. Ela surge quando você não a espera. É como se um dia você se desse conta de que o conto de fadas talvez seja ligeiramente diferente do sonhou. O castelo, bem, talvez não seja um castelo. E não é tão importante que se seja feliz para sempre. Mas só que se seja feliz agora. Sabe, de vez em quando, muito de vez em quando, as pessoas irão te surpreender. E de vez em quando as pessoas podem até te deixar arrepiada.

domingo, 28 de março de 2010

As pessoas passam muito tempo focadas no futuro. Planejando-o. Trabalhando em direção a ele. Mas em algum momento começamos a perceber que a vida esta acontecendo agora. Não após o ensino médio, não após a faculdade. Agora. É isso, aqui. Pisque e perderá. Você falou? Eu te amo. Nunca quero viver sem você. Você mudou minha vida. Você falou? Faça um plano, tenha um objetivo, trabalhe para conseguir, mas, de vez em quando, olhe em volta... e absorva. Por que é isso. Tudo pode desaparecer amanha.

domingo, 14 de março de 2010


As pessoas carregam feridas em todos os tipos de lugares. Como mapas secretos de suas histórias pessoais. Diagramas de todos os seus antigos machucados. Muitos dos nossos machucados saram, deixando apenas uma cicatriz. Mas alguns não se curam. Carregamos alguns machucados por toda a parte, e mesmo que o corte já tenha ido embora... a dor ainda permanece.
O que é pior? Novas feridas que são terrivelmente dolorosas, ou velhas feridas que deveriam ter cicatrizado há anos, mas nunca foram?
Talvez as nossas velhas feridas nos ensinem alguma coisa. Elas nos lembram por onde passamos, e o que nós superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro. É isso que gostamos de pensar. Mas não é assim que acontece, é?
Algumas coisas a gente tem que aprender de novo, e de novo, e de novo...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Uma história interrompida

Interrompida, caiu uma vírgula por aí, minha oração nunca será ouvida. Me perdi no meio dos sentidos.
História escrita a lápis, lápis-borracha para tudo ser mais prático. Escrita de qualquer jeito, torta, em linhas invisíveis. Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam.
Uma história pra adultos, escrita por crianças. Você sem saber viver de tantas vidas por aí, eu sem conseguir viver porque virei sua hospedeira.
Quis sugar sua vida perdida, e me perdi.
Incapaz de me sentir por medo de ser inteira, saio sentindo e sendo os outros. Quis ser você inteiro, morar aí dentro, bombear e mandar nas suas veias.
Mas você é tão livre, tão acima do chão. Tão acima de minha cabeça. Da minha cabeça que está aos seus pés.
Sinto o arrepio frio nas costas da bandeja de vidro que eu trouxe pra você.
Nela estou deitada, entregue. Mas tudo isso pode se quebrar a qualquer momento. A reconstrução eterna dos meus sonhos que já nascem fragmentados para que eu possa engolir tudo aos poucos.
Mas de nada adianta, estou eu aqui de novo, mas mais uma vez tão única e surpresa, engasgada até onde se pode sentir falta de ar.
Engasgada de você ir embora, engasgada de você voltar. Engasgada de você sempre sorrir.
Você não passou pelos meus buracos e eu não consegui te entender no quentinho seguro do meu ventre. Você travou todas as minhas entradas, você me incha por dentro e eu nem sei se vale a pena explodir porque você é surdo e cego.
De que vale eu deixar de existir se você não me percebe?
Sigo inchada, sigo cheia de coisas para cuspir em você, sigo pontuada por esses batimentos cardíacos que descem quando te vejo.
Poesia sem rima porque não somos bregas e a vida sem sentidos e sem encaixe é a loucura que une nossas doenças. Estrofes com métrica, porque sabemos exatamente o que queremos, apenas não rimamos para que não exista cumplicidade.
Uma história começada como a necessidade obscena e idiota de coçar o saco. E terminada pela saciedade obscena e idiota de o saco já ter sido coçado.
Tudo tão simples como expelir algo fisiológico. E eu me sentindo uma merda mesmo.
Ditado de três palavras para você: gostosa, fácil, comer. Narração de sujeito oculto para mim: meus sentimentos escondidos até o fim.
Uma redação com margem, tamanho e estilo impostos para você. Um diário sem limites para mim.
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta.
E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos. E eu continuo escrevendo seu nome com letras cheias, para tentar preencher você de alguma maneira. Pra tentar deixar tangível a sua existência. E principalmente pra poder amassar o papel e jogar no lixo. Afinal as coisas são como são. Na hora certa. Foda-se.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Discurso.

Não uso esse blog com fins didáticos ou contatos profissionais, é antes de mas nada um refúgio, uma válvula de escape, no entanto, não poderia deixar passar esse belo discurso de formatura proferido pelo meu querido amigo Luis, que além de emocionar-me com toda certeza, me puxou pra dentro de mim, em um momento de pura reflexão sobre o futuro, o todo, MINHA PROFISSÃO.
Nós podemos sim (e vamos) amigo Luis, mudar o mundo, como nossas palavras, e isso, é de uma grandeza imensurável.


"A minha missão esta noite é grandiosa, é tentar passar por minha boca o que está em nossos corações neste momento, sentimentos que não cabem em um mundo inteiro, resumir em singelas palavras angustias, felicidades, frustrações, saudades, sentimentos tão nossos, que os sábios aconselham silenciar diante tal impossibilidade.

Talvez um olhar ou um sorriso seja mais fiel a nossos sentimentos neste instante, pois o silencio que cantam os poetas vem não do não ter nada a dizer, mas da impossibilidade de exprimir por palavras o mundo que habita nesse silencio.

Este momento é único na vida de cada um de nós aqui, e uma formatura não pode ser utilizada meramente como uma forma de distinção social, pois não marcamos nossa passagem na sociedade simplesmente colocando nossa foto num descerramento de placa.

O tom poético e provocativo com o qual inicio meu discurso convida-nos a refletirmos sobre o papel do bacharel em Direito hoje.

O dia de hoje vai além de nossos sentimentos individuais e familiares, e desborda na sociedade que hoje volta os olhos para nós e veio celebrar um contrato conosco, um contrato que tem por objeto a paz e a Justiça social, que cada um de nós hoje se obriga a cumpri-lo.

O Direito é por excelência um curso de vanguarda, que está diretamente relacionado com o futuro da sociedade e o silencio proposto a bem pouco tempo já não mais convém por que agora é uma questão de dar explicações à sociedade, quase como um mandato político, e aquele que ainda não percebeu se tratar o direito de política?

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar as desonras, de tanto ver se agigantar o poder nas mãos dos mãos, o homem chega a desanimar-se da honra, a rir-se da virtude e a ter vergonha de ser honesto. O saudoso Rui Barbosa aos escrever estas linhas, não poderia imaginar que essa crise de valores se agravaria ainda mais nos dias de hoje, e que A Justiça precisa cada vez mais de homens honrados, virtuosos e honestos.

Ao profissional do Direito hoje não é permitido recuar, não se é permitido silenciar diante da sociedade em que vive, sobretudo quando do seu silencio nascer o menor abandonado, a mulher espancada pelo marido, a educação de má-qualidade, nascer a injustiça.

O profissional do Direito não deve ter pretensões megalomaníacas de salvar o mundo, deve ter a sanidade de saber que jamais conseguirá, mais tem que ser louco o bastante para todo dia tentar fazê-lo, com a certeza de um louco que todos os dias vai até a mais resistente rocha tentar quebrá-la, por acreditar que preso dentro dela estão várias vidas humanas, e que elas dependem de como a rocha vai ficar quando ele partir

Temos que quebrar todas as correntes para que amanhã não sirvam para aprisionar nossos filhos, jamais aceitemos um estado de coisas que não coabita com o sentimento de justiça que carreguemos conosco no peito.

Hoje, nós temos bacharéis em direito que não se importam com a ressonância de suas ações, anestesiados pela servidão constante, e desacreditados da Justiça! Um bacharel em direito desacreditado da Justiça??? Não seria como um médico que não acredita na beleza da vida? Ou como um agricultor que não acredita que as plantas crescem e que delas provem os frutos??

Não é a toa que andam dizendo por aí que um analfabeto sabe mais sobre justiça do que um bacharel em Direito!...é!!!, isso por que quando se depara com uma situação, o analfabeto diz em cima da bucha...tá errado!!!, e nós passamos cinco longos anos estudando teorias e mais teorias e quando nos deparamos com essa mesma situação dizemos, é assim mesmo, isso num muda não!

E nosso estudo e ambição não nos faz perceber que dia a dia nos afastamos do nosso precioso objeto de estudo, o ser humano.

Não podemos nos transformar em juristas anestesiados dos problemas da sociedade, até porque não temos o direito de nos desesperançar, de desacreditar na Justiça, temos que olhar o copo sempre meio cheio e não meio vazio como o fazem os pessimistas, não podemos chorar por saber que as rosas tem espinhos e sim sorrir por saber que os espinhos tem rosas como dizia o grande poeta Machado de Assis.

A natureza, dizia Dostoievski na literatura Russa, divide o homem em duas categorias: uma inferior dos ordinários, espécie de matéria que tem por única missão reproduzir-se; e a outra, superior, compreendendo os homens que têm o dever de fazer no seu meio uma palavra nova. As subdivisões são inúmeras, naturalmente, mas as duas categorias apresentam traços muito característicos. À primeira, pertencem, na generalidade, os conservadores, os homens de ordem, que vivem na obediência e têm por esta grande apreço. Na minha opinião são mesmos obrigados a obedecer, porque é a missão que o destino lhes impõe, e isso nada de humilhante tem para eles. O segundo grupo compõe-se exclusivamente de homens que transgridem a lei, os destruidores ou inclinados a sê-lo, a julgar por suas faculdades. Naturalmente os seus arrimes são relativos e muito diferentes. Em sua maior parte eles reclamam, em declarações variadas, a destruição do presente em nome de alguma coisa melhor....

O profissional do direito deve ter o espírito transgressor como a segunda categoria de Dostoievski, principalmente na atmosfera social em que nos encontramos, totalmente hostil e opressora, onde a manutenção do status quo implica na renuncia maciça de direitos das classes menos favorecidas. Sociedade onde a ganância, a ostentação e o luxo são vitoriosos, sociedade onde a visão de grandeza e os valores são distorcidos pelo capital, onde as relações humanas estão cada vez mais frívolas, onde o dinheiro compra sexo, compra admiração, compra amigos, compra prestígio, compra vidas!!!

É nessa sociedade em que vamos viver, é essa sociedade, imersa numa abissal crise de valores, e que neste momento celebra conosco um contrato de continuidade, e nós somos os responsáveis pelos dias que virão.

É nessa sociedade que Paulo Freire viu estar dividida entre aqueles que não dormem porque tem fome e aqueles que não dormem com medo dos que tem fome. É nessa sociedade que Manoel bandeira viu o bicho revirar o lixo em busca de alimentos e percebeu-se tratar de um ser humano. É nessa sociedade que nos iremos viver.

O medo de” botar a cara a bater” é grande, sei, todos sabem, e as pessoas lidam com seus medos de diversos modos, isso faz com que alguns enfrentem o palco. Isso fez com que Nelson Mandela enfrentasse o palco na África, que Martin Luther King enfrentasse o palco nos EUA do Apartheid, os inimigos da ditadura enfrentassem o palco contra o poder instituído, que o próprio Cristo enfrentasse o palco pela humanidade, tudo para que seus sonhos no futuro pudessem vir a ser tocados, como carne e osso, pois não há nada como sonho para criar o futuro e nas belíssimas palavras do ex-presidente norte-americano Roosevelt “ O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”

E isso é a história, ela passa necessariamente por nós, e aos omissos restará o anonimato, o silencio da história, do que poderia ter sido e não foi, pois a história, assim como a vida, não registra intenções.

Allyson Mascaro em palestra na nossa capital contou uma história, que jamais esquecerei...

“hoje olhamos para aquela sociedade escravocrata dos séculos passados e dizemos, povo sem coração aquele que escravizava seus semelhantes, amanhã, talvez, quem sabe, olharam para hoje e dirão, sociedade mais sem coração aquela do século XXI, que viam seus semelhantes morrerem de fome e nada faziam”

Na Grécia antiga, Sócrates foi condenado por todos os juízes de Atenas, todos foram chamados para decidir sua situação, cerca de 500 (quinhentos juízes) hoje nós não sabemos o nome de um sequer, mas Sócrates nós Sabemos muito bem quem foi, quem será o próximo Sócrates? O próximo Mandela, o próximo Gandhi?

tenho duas mãos e o sentimento do mundo, dizia Drummond, sabemos que duas mãos são poucas, mas unidas a mais duas , são quatro e assim por diante.

Tenho certeza que cada um aqui estará em um bom lugar e cedo ou tarde, estaremos no palco, e caberá a cada um decidir, aos omissos o silêncio da história.'

Luis Francivando Rosa da Silva

The, 31 de Janeiro de 2010