domingo, 27 de janeiro de 2008

Zé Pereira...

Ontem foi o início de uma das maiores expressões culturais Piauí-Maranhão, o tão esperado Zé Pereira de Timon, e eu, é claro, não fui. De fato, queria muuuuuito ir, mais não pude, fui chamada pra ir a outro lugar, mais especificamente ao encontro dos membros da comunidade Poetas do Piauí, que aconteceu na casa de um desses membros, Sr Robson Cunha, mais conhecido como "menino", devido a sua pouca idade (quero deixar claro que não tenho preconceito contra esses idosos que ficam mentindo a idade so pra me chamar de tia-Ps: isso não foi pra você Robson). Além de nosso anfitrião, estavam lá algumas figuras ilustres, como: João Paulo Mourão, mais conhecido como JP, que trás consigo uma mistura de jurisconsulto e um faro pra lá de jornalistico, respectivamente Uespi e Ufpi (pra bom entendedor meia palavra basta). Também por lá apareceu a Srt Patricia Baskiat que assim como eu, permaneceu boa parte do tempo observando o trabalho de nossos artistas preferidos, mais sempre registrando tudo com uma maquina, da qual não me atrevi a pedir um pouco emprestada, para satisfazer assim minha curiosidade, devido ao meu pouco tato com as tecnologias deste século. Outro 'Ser' que me chamou bastante atenção foi David Leão, pessoa mais eloquente que já vi, e de um dom natural em transformar tudo em alegria
Estava por ali a pairar sobre os ares de nicotina um simpático rapaz chamado Chelton e que segundo conversa que tive com ele, estuda enfermagem, adora abrir morto, quase tanto quanto as poesias de Augusto dos Anjos, e além de tudo, seria ele, primo de nosso amigo Robson, e fazia com este as vezes da casa. Outro notável que lá estava se chamava Enéias Brasil um cidadão realmente de classe, sempre falando baixo e com um sorriso largo e uma faculdade de julgar e apreciar com ponderação e inteligência.
Kadja Ravena (sou muito suspeita pra falar dela)com sua sempre invejável simpatia e nostalgia; é como se sua consciência não pertencesse a este mundo. Quero aqui expressar meus pêsames pela perda de seu querido Edmundo, e dizer que definitivamente, o cachorro não é ele!
Eiiiiita Laís Romero, te deixei por último de propósito, porque definitivamente, comumente, fatalmente, você conseguiu me impressionar de tal forma que nem Chico Chavier jamais conseguiria! O que tenho a dizer sobre você? Você brilha garota, brilha!!
E com sua licença, ponho aqui sua melhor interpretação:

Sobre ser sociável...
"Conversas curtas te convém, te convidam para encontros que nunca acontecerão: 'me liga, tá?'
E aí você, ingênuo, espera e liga de volta
e liga de volta
e fica envolto em mais uma névoa ridícula, em mais um disfarce que esconde a parte mais gostosa dos seres sociáveis: a sua solidão.
Os seres sociáveis deglutem solidão a cada instante: deglutem em sorrisos programados; em apertos de mãos frouxas que não se reconhecem...
Os seres sociáveis escondem as paredes rachadas de suas casas.
Os seres... Ah os seres sociáveis..., são tão belos, tão belos cabelos pervertidamente transformados, os corpos adequados, os sentimentos travestidos...
Os seres sociáveis trabalham muito, seriamente: não há espaço para gostar ou querer...
Os seres sociáveis só se entorpecem de bebidas altamente recomendáveis, de medicamentos receitados pelos seus psicopatas, de cigarros escondidos e outras sacanagens: tudo o que se esconde por detrás da maquiagem, vale tudo no sabor da sociedade.
Os seres sociáveis são os aceitos, os perfeitos, que quando se dão as costas se costuram, se cortam, se mordem, se tostam, se comem e fazem as melhores e mais maldosas prosas uns sobre os outros.
S o c i a v e l m e n t e, é claro!
Os seres sociáveis não podem, não devem respirar paixão.
Não podem não devem revelar solidão: é sempre demonstrado o mais pleno, belo e feliz sentimento.
Casados, solteiros, sociavelmente discretos não podem sair do contexto.
Têm de usar o bom senso. Fazer de tudo um comentário. Sair na foto, abrir o armário, calçar sapato, arrumar cabelos, o olho, comprar mais espelhos, sorrir o tempo todo.
Ah!
Por favor!
Não quero ser sociável, já me bastam as desgraças mundanas...
Prefiro me nutrir de amor, sacudir os ombros em desdém apaixonado...
Prefiro me segurar com força nos cabelos da vida... me mostrar, me contradizer deliciosamente...
Humana, cicatriz na Terra.
Prefiro ser.
Ser.
É."

Foi uma satisfação dividir minha noite com essas pessoas, e prova, que esta cidade tem sim, o que fazer, basta apenas uma boa calçada (no nosso caso, cadeiras deveras confortáveis) cabeças pensantes, e muito Amor em nossos corações.
Você foi pra Timon?? Que pena...Eu, eu fiquei em Teresina, sentindo uma leve brisa fria em meus cabelos, um som de violão ao fundo, e alegria, muita alegria inteligente me envolvendo!!

3 Cabeças Pensantes:

Jota Pê_The disse...

Que instant eletronic-jornalista nós estamos ganhando aqui e agora hein
Garota Bárbara!
A parte que mais gostei foi :"Por favor!
Não quero ser sociável, já me bastam as desgraças mundanas..."
Me identificaria com isto aí..
Mas não serei poeta, não transmitirei a nenhuma criatura o legado de soberba da nossa mocidade...prefiro escrever versos dadaístas e soletrá-los para conlhesco e ao léu, sozinhamente quando puder precisar...

Abracitos

Bárbara! disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aldeneides Leal disse...

Parabéns a Laís, q n conheço mas um texto de boa qualidade é sempre bem vindo. Ei neguinha, me add no blog, tu tá no meu visse. saudades
bju