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Não que chegue a doer, é só o incomodo que sua presença tem causado. Aquela sensação de quem machucou o dedo exatamente no dia de usar aquele sapato que passou meses namorando pela vitrine, e que na sua humilde opinião foi feito único e exluisivamente para os seus pés. Um sorriso exagerado demais. Esdrúxulo demais, de quem quer forçar amizade só pra parecer legal. Pessoas e coisas. Amigas demais. Bonitas demais. "Cú doces demais." Sociáveis demais. "São teus olhos ou os meus que deixaram as coisas assim repugnantes demais?" E apesar de ter fingido me importar, não foi suficiente para um mundo tão pervertidamente perfeito que você espera. É a minha tristeza inerente ou a sua alegria forçada? É a certeza de quem não precisa ir atrás pra ter certeza ou a insegurança de quem precisa de um telefonema pra dormir? Minha insegurança é preguiçosa demais para não sentir sono só por falta de uma voz - eis a sua decepção! Sua boca não atinge mais o meu coração, nem o que possa vir dela. Talvez o meu fígado sinta alguma diferença que faz a ausência de sua omissão. O que me resta é o que me foi aprendido nesses anos de rock's melodramáticos. Pedir Piedade:
"Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre auilo que não tem
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe Amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos envolta da lâmpada
Vamos Pedir Piedade,
Senhor Piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos Pedir Piedade
Senhor Piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem."
(Cazuza/Frejat)
Texto demasiadamente inspirado em "Só pra dizer que." de Raquel Guedelha (piriguete do metal) e dedicado a mesma (piriguete do metal) que com seus escritos me faz ter a doce ilusão de um mundo bem pior.
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